Um amigo me diz: "o que sobra para os EUA além de fazer guerra? Foi guerreando que todos os impérios acabaram".
Ele se referia à proposta dos republicanos, aceita por grande parte dos democratas, que cortam gastos com saúde, educação e assistência social e mantém intacta a máquina de guerra do país.
Ele me perguntou: "como psicólogo, como você vê isto"?
Respondi: ORGULHO.
Os EUA se desenvolveram em cima de conceitos nobres: trabalho, liberdade, igualdade. Os pioneiros impediam que alguém tivesse grandes propriedades de terra. Pois todos deviam ter a sua própria propriedade e aqueles que gerissem melhor ganhariam mais. Ou seja, EFICIÊNCIA e INOVAÇÃO.
Os EUA foram e ainda são o país do trabalho comunitário. No Brasil temos a idéia do público como o espaço de ninguém. Lá
o público é o espaço de todos.
Lembro que visitei uma biblioteca nos EUA. O que me chamou a atenção era a quantidade de doações que a biblioteca recebia. Livros, computadores, o prédio, reformas do prédio, caderiras, mesas... Parecia que todos da redondeza faziam questão de colaborar. Este comportamento faz parte do ideal americano, aquele ideal que construiu o país.
Então, chegou o individualismo exarcebado, o incentivo ao orgulho, à vaidade, ao consumismo. Algumas décadas atrás a moda eram os Yuppies. Se gabavam de usar camisas apenas uma vez, depois jogavam fora. Extremamente consumistas, alienados e egoístas. Estes tipos se tornaram o ideal de vida de milhões de americanos.
Os presidentes Reagan, depois Bush, cortaram impostos dos mais ricos. (Mais ou menos o que querem fazer aqui no Brasil). Desregulamentaram o mercado financeiro - a ciranda financeira atingiu seu ápice. Enquanto isto os valores dos pioneiros foram ficando para segundo plano. Os sintomas: escândalos financeiros, um atrás do outro.
Sem valores nobres e incentivados ao consumismo exarcebado, o egoísmo tomou conta do país. Foi uma festa de consumo que já levou 15 milhões de famílias à falência. Levou o país a dever 15 TRILHÕES de dólares. Grande parte disto gasto em guerras e na máquina de guerra.
Uma nação que abandonou os ideais nobres de seus pioneiros, para se tornar uma nação Yuppie. É o caminho da destruição, da auto-destruição.
Isto acontece com pessoas e acontece com paises. Outro dia encontrei com uma mulher "acabada", deprimida, "sem futuro". Um dia ela foi uma jovem secretária, bonitinha, que gastava todo seu dinheiro com roupas, com "diversão" e outras vaidades. Uma vida futilidade. Uma vida desperdiçada muito rápida. Sua colega, que aproveitou a oportunidade para estudar e ajudar sua família, tem boa profissão, boa saúde e boa aparência. Ou seja,
a boba está bem e a espertona está mal. Os EUA resolveram ser os espertões do mundo. É o único país que imprime dinheiro a vontade (por enquanto) e repassa para o resto do mundo.
Tudo para torrar!Sem valores, sem dinheiro e preenchidos por vaidades e desejos de consumo, sobra o sentimento de derrota. Isto eles não querem aceitar.
Como se esconder deste sentimento de derrota e
da necessidade de se arrepender e começar de novo? Orgulho.
Tem pessoas que perdem a vida, mas não perdem a pose. É isto que estamos vendo acontecer ao
ainda grande país que são os EUA.
Consumismo, vaidade, orgulho, exibicionismo, narcisismo, egoísmo quando presentes e fortes geram uma coisa só: autodestruição.Seja vida da ex-secretária, atual depressiva. Seja na vida de uma nação.
Leia mais aqui:
EUA: 15 milhões faliram em 4 anosSobre o absurdo número de depressivos em São Paulo (muitos deles prisioneiros de um estilo de vida auto-destrutivo)
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Aqui você pode saber sobre a
falta de compaixão que norteou os cortes de impostos nos EUA.
A verdade é: sem compaixão, sem apoio ao próximo e sem caridade a chance de um país ou de uma pessoa crescer fica muito reduzida.
A secretária que ajudava financeiramente sua família, e que por isto não comprava as mesmas roupas que a secretária egoísta, MELHOROU DE VIDA. É muito fácil ver milhões de exemplos como este. Ela foi solidária, fugiu do consumismo e vive bem. A outra se esbaldou no consumismo, vaidade e exibicionismo e hoje está deprimida.
Qual exemplo você vai seguir na vida? O caminho da privação baseada no amor? Ou o caminho da realização de desejos destrutivos? São duas escolhas, e NÃO EXISTE O MEIO TERMO. Não se iluda!
Sem valores nobres você pode vencer, mas fica mil vezes mais difícil.